A descarbonização no transporte rodoviário de cargas já tem caminho prático: frota com motores Euro 6 (Proconve P8), uso correto de ARLA 32, telemetria e direção econômica, renovação de frota, implementos mais leves, energia renovável nas bases e compensação via crédito de carbono. Somadas, essas medidas reduzem emissões por tonelada transportada sem esperar tecnologias futuras.
Principais pontos
- O setor de transportes gerou 214,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2024, a maior parte das emissões ligadas à energia no Brasil, segundo a EPE.
- Caminhões novos vendidos no país seguem a fase P8 do Proconve desde 2023, equivalente à norma europeia Euro VI.
- Sem ARLA 32 de qualidade, o sistema de pós-tratamento não funciona, e fraudar o sistema é infração de trânsito.
- Telemetria, direção econômica, frota jovem e implementos leves reduzem o consumo de diesel, que é a principal fonte de emissão da operação.
- Embarcadores cobram dados de emissão porque o frete entra no Escopo 3 do inventário deles.
Qual é o peso do transporte nas emissões do Brasil?
Segundo o Balanço Energético Nacional 2025 (Relatório Síntese), da EPE, as emissões associadas à matriz energética brasileira somaram 431,3 Mt CO2 eq em 2024. Desse total, 214,3 Mt CO2 eq vieram do setor de transportes, praticamente metade.
O mesmo relatório mostra que o óleo diesel respondeu por cerca de 42,5% da energia consumida pelos transportes. Como o caminhão é o principal usuário de diesel, o transporte rodoviário de cargas está no centro da conversa sobre clima.
Na prática, cada litro de diesel economizado é emissão evitada. As ações que funcionam hoje giram em torno de consumir menos combustível por tonelada movimentada.
Euro 6 e Proconve P8: o que mudou nos caminhões?
A fase P8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores foi estabelecida pela Resolução Conama 490/2018. A página do Proconve no Ibama informa que a P8 para veículos pesados começou em 1º de janeiro de 2022.
De acordo com análise do ICCT sobre a norma P8, a fase equivale à Euro VI: valeu primeiro para homologação de novos modelos (2022) e, a partir de 1º de janeiro de 2023, para todas as vendas e registros de veículos novos. O mesmo documento aponta que os filtros de material particulado reduzem as emissões de MP em 90% em relação à fase P7.
Vale um esclarecimento: a P8 mira principalmente poluentes locais, como NOx e material particulado, que afetam a saúde nas cidades e nas rodovias. O ganho em CO2 vem junto com a eficiência dos motores mais novos, mas o principal efeito climático continua dependendo de quanto diesel se queima.
O papel do ARLA 32
Caminhões com tecnologia SCR (catalisador de redução seletiva) dependem do ARLA 32 para reduzir NOx. A Resolução Contran 666/2017 define o produto como solução de água desmineralizada e ureia de grau industrial. A norma também classifica como infração o uso de ARLA 32 adulterado e de emuladores que alteram o sistema, e proíbe modificar o reservatório original.
Na prática, o embarcador deve perguntar ao transportador como ele garante a procedência do ARLA e como monitora o funcionamento do pós-tratamento. Um caminhão Euro 6 com sistema desativado polui como um modelo antigo.
O que já funciona na descarbonização no transporte de cargas?
Não existe uma solução única. O que se vê nas operações mais maduras é uma combinação de medidas, cada uma com seu peso. A tabela resume as principais.
| Medida | Como reduz emissões | O que verificar no transportador |
|---|---|---|
| Frota Euro 6 / P8 | Motores mais eficientes e com pós-tratamento | Percentual da frota P8 e meta de renovação |
| Telemetria e direção econômica | Menos aceleração brusca, marcha lenta e excesso de velocidade | Monitoramento contínuo e treinamento de motoristas |
| Renovação de frota | Idade média menor, menos falhas e consumo mais estável | Idade média da frota |
| Implementos mais leves | Menos peso morto, mais carga útil por viagem | Material e projeto das carretas |
| Energia renovável nas bases | Reduz emissões de eletricidade (Escopo 2) | Origem da energia das unidades |
| Crédito de carbono | Compensa a parcela que ainda não foi reduzida | Programa utilizado e transparência |
Telemetria e direção econômica
Telemetria transforma o comportamento ao volante em dado: velocidade, rotação, frenagens, tempo de motor ligado parado. Com isso, a gestão identifica desperdícios e orienta cada motorista. Limite de velocidade e condução suave economizam combustível e, ao mesmo tempo, reduzem o risco de acidentes.
Implementos mais leves
No transporte de granéis, cada quilo a menos na carreta é um quilo a mais de carga útil dentro do mesmo peso bruto total. Menos viagens para mover o mesmo volume significam menos diesel por tonelada. Aços de alta resistência permitem caçambas mais leves sem perder durabilidade em cargas abrasivas, como minério, escória e calcário.
Exemplo prático: o que a D'Granel já faz
A D'Granel opera a maior frota de carretas basculantes de Minas Gerais e publicou em fevereiro de 2026 seu Relatório ESG. Os números mostram como as medidas acima se combinam em uma operação real de granéis:
- Frota Euro 6: 75% da frota já atende ao padrão, com meta de chegar a 90% até 2030.
- Frota jovem: idade média de 2 a 3 anos, com mais de 3.200 equipamentos e 1.400 cavalos próprios.
- Telemetria: segundo o relatório, o monitoramento evitou 118,47 toneladas de CO2. A frota é monitorada 24 horas e opera com limite interno de 80 km/h.
- Implementos mais leves: carretas basculantes em aço Endur, mais leve e mais durável.
- Combustível e ARLA: uso de ARLA Verde e de diesel aditivado Shell Evolux nas unidades de BH.
- Energia: 80% da energia das plantas em Minas Gerais vem de fonte renovável.
- Compensação e outras frentes: crédito de carbono com a Abundance Brasil, eletrificação da frota leve e logística reversa de lonas de freio.
Essas ações se apoiam em gestão certificada: a empresa tem ISO 14001 desde 2025, além de ISO 9001, SASSMAQ e ISO 39001. Os detalhes estão na página de certificações e na descrição da frota.
Por que embarcadores cobram isso do transportador?
O motivo principal é o Escopo 3. Pelo padrão Scope 3 do GHG Protocol, as empresas contabilizam as emissões de toda a cadeia de valor, organizadas em 15 categorias. O próprio GHG Protocol observa que a maior parte das emissões corporativas costuma estar no Escopo 3.
O frete contratado de terceiros entra nessa conta. Para uma siderúrgica, uma mineradora ou uma fabricante de fertilizantes, as emissões do caminhão que leva o insumo ou o produto acabado aparecem no inventário dela, não só no do transportador.
Por isso, áreas de suprimentos passaram a incluir critérios ambientais na homologação de fornecedores. As perguntas mais comuns são:
- Qual o percentual da frota Euro 6 e qual a idade média?
- Existe telemetria e programa de direção econômica?
- A empresa tem sistema de gestão ambiental certificado?
- Há inventário de emissões, metas e ações de compensação?
Como avançar sem comprometer o custo do frete?
Boa parte das medidas de descarbonização no transporte rodoviário se paga pela economia de diesel e pela menor manutenção. Frota nova consome menos, implemento leve aumenta a carga útil e direção econômica reduz consumo e acidentes. O ganho ambiental e o ganho operacional andam juntos.
Conheça o ESG da D'Granel e solicite uma cotação
Se a sua empresa precisa reduzir as emissões de Escopo 3 sem abrir mão de segurança e regularidade no transporte de granéis, conheça as práticas detalhadas na página de ESG da D'Granel. Para avaliar uma operação específica, solicite uma cotação comercial ou fale com o time pelo e-mail comercial@dgranel.com.br.
Perguntas frequentes
Todo caminhão novo vendido no Brasil é Euro 6?
Desde 1º de janeiro de 2023, as vendas e registros de veículos pesados novos seguem a fase P8 do Proconve, equivalente à Euro VI. Caminhões fabricados antes disso continuam rodando, por isso a idade da frota faz diferença.
O que acontece se o caminhão rodar sem ARLA 32 ou com ARLA adulterado?
O sistema de redução de NOx deixa de funcionar corretamente e as emissões sobem. Pela Resolução Contran 666/2017, ARLA adulterado e uso de emuladores são infrações.
Crédito de carbono substitui a redução de emissões?
Não. O crédito compensa a parcela que ainda não foi possível reduzir. A prioridade é cortar consumo de diesel com frota eficiente, telemetria e gestão; a compensação vem como complemento.